Elijah J. Magnier
Trad. Alan Dantas
As duras sanções ocidentais contra a Rússia e suas instituições econômicas e financeiras continuam desde o primeiro dia da guerra da Ucrânia (em 24 de fevereiro). Os 30 países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) continuam a enviar armas customizadas letais à Ucrânia para combater o exército russo. O objetivo da OTAN consiste em causar o maior número de perdas russas e prolongar a guerra, permitindo uma maior demonização russa e a isolando do Ocidente, não obstante a necessidade da Europa de energia dos russos. De fato, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reiterou que a exportação de energia russa é insubstituível nos próximos anos. Entretanto, alterar o plano e as táticas militares da Rússia proporcionou ao exército objetivos mais modestos, possivelmente pressupondo que a guerra na Ucrânia não duraria muito. No entanto, parece que a administração de Joe Biden está determinada a manter a luta o máximo de tempo possível e aumentar a provocação à Rússia no continente europeu.
Obviamente, a guerra não foi apenas militar, mas também uma guerra de mídia e propaganda na qual o Ocidente se destacou, dominando seu uso contra a Rússia. A imprensa ocidental conseguiu instigar a maior parte do mundo ocidental contra Moscou, que se tornou o “Grande Satã” para a maioria dos europeus, que usavam um vocabulário limitado para expressar seu conhecimento restrito sobre os antecedentes da guerra na Ucrânia. “Putin enlouqueceu”, “a Ucrânia tem o direito de escolher sua aliança”, ou “um país poderoso não pode atacar outro com capacidades mais frágeis” são as palavras amplamente usadas para acusar a “transgressão” da Rússia na Ucrânia. Há pouca menção de como a administração americana, ciente da reação da Rússia a qualquer plano de provocar a Rússia e colocar em risco sua segurança, levou Moscou a uma guerra na Ucrânia, um conflito que o presidente Vladimir Putin estava ciente e decidiu acabar militarmente.
Consequentemente, o que a Rússia ou a China disseram sobre o papel dos EUA como instigador se tornou irrelevante. De fato, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês acusou “os Estados Unidos de defenderem seu unilateralismo. A expansão da OTAN empurrou a Rússia para a cratera do vulcão e contra a parede. A China não tomará uma posição pró ou contra nenhum país”.
Não surpreende que o presidente russo Vladimir Putin tenha anunciado que sua batalha na Ucrânia é “para acabar com o unilateralismo americano que está pronto para lutar contra a Rússia até o último soldado ucraniano”. Putin afirma que está “determinado a atingir seus objetivos na Ucrânia e acabar com a guerra, custe o que custar, calma e flexívelmente”. O Secretário de Estado americano Anthony Blinken confirmou o que a Rússia e a China afirmaram e disse que “a guerra russa é um ataque ao sistema internacional”, uma referência à ordem mundial unilateral dos EUA, uma tentativa de dominar o mundo durante os últimos 30 anos.
O Presidente Putin mostrou flexibilidade militar no campo de batalha depois de ter diminuído as metas militares estabelecidas nas primeiras semanas da guerra por seu comando militar e as pesadas perdas resultantes das primeiras semanas de batalha. O porta-voz presidencial russo Dmitry Peskov declarou que “ocorreram perdas significativas nas fileiras do exército russo”.
O Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, conseguiu vencer a Rússia na primeira fase da guerra, frustrando o esquema básico que os líderes do Kremlin haviam pensado erroneamente. A liderança militar pode ter acreditado erroneamente que a chegada das forças russas seria bem recebida pelos ucranianos, que considerariam os russos como uma força de paz. Em contraste com esta expectativa, o exército ucraniano mostrou uma vontade de lutar e defender as cidades ferozmente, confiando no treinamento, na perícia e nas armas apropriadas fornecidas pelos EUA e por muitos países da OTAN para infligir as mais pesadas perdas possíveis ao exército russo.
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