A divisão do Líbano está na mesa agora?

French President Emmanuel Macron (2L) meets with Lebanese President Michel Aoun (2R) upon his arrival at Beirut airport, on August 6, 2020, two days after a massive explosion devastated the Lebanese capital in a disaster that has sparked grief and fury. – French President Emmanuel Macron visited shell-shocked Beirut on August 6, pledging support and urging change after a massive explosion devastated the Lebanese capital in a disaster that left 300,000 people homeless. (Photo by Thibault Camus / POOL / AFP)

Por Elijah J. Magnier: @ejmalrai

Translated by: Alan Regis Dantas

Após o fim da guerra civil de 1975 no Líbano, foi assinado o acordo de Taef (um dos piores acordos já registrados) entre os beligerantes. Tal acordo entregou o país nas mãos dos senhores da guerra civil que hoje governam o Líbano juntamente com os seus filhos. Desde então, têm sido freneticamente diligentes em roubar a riqueza pública, gerindo mal o país e oferecendo poucas infra-estruturas valiosas aos habitantes. Abrigam-se por detrás dos líderes religiosos, que estão interessados em oferecer proteção a estes senhores… desde que guardem a posição governamental alocada a cada uma das 18 religiões libanesas, de acordo com um sistema confessional muito afastado da democracia ou mesmo do nacionalismo. E de fato, o Presidente francês, Emmanuel Macron, teve o cuidado de dizer, durante a sua última semana de visita ao Líbano, na sua reunião com estes mesmos senhores da guerra: “Não cabe a um Presidente francês escrever a sua história em seu nome”. São vocês que tem de fazê-lo”.

Macron rejeitou a ideia de uma eleição parlamentar antecipada e pediu que estes senhores da guerra se unissem num “governo unificado” – o que significa apoio da comunidade internacional aos mesmos políticos responsáveis pela crise libanesa e pelo roubo em grande escala durante décadas! Mas a população tomou as ruas no dia seguinte à partida de Macron, fazendo ver que um confronto sectário já não podia ser descartado. Será possível dividir o Líbano, seguido de outra guerra sectária? Qual seria a reação dos atores poderosos? Já passa da hora deste governo libanês partir. E depois?

Chegou o momento da saída do governo libanês liderado pelo Doutor Hassan Diab. Ele, um sunita, não é um líder político e não pertence a nenhum partido. É um intelectual e um professor universitário que foi impedido de implementar mudanças reais e de pôr fim ao padrão de corrupção há muito estabelecido. Os senhores da guerra libaneses reuniram-se contra ele internamente e deram-se ao trabalho de viajar para o estrangeiro pedindo aos líderes mundiais que se abstivessem de apoiar o atual governo. Até o Presidente Nabih Berri tentou abalar Diab e o seu governo, embora Berri tenha dois ministros no mesmo gabinete de Diab, e contribuiu para o seu fracasso. Os ministros de Berri finalmente rejeitaram a ideia de remover o presidente do Banco Central e levá-lo a julgamento pela sua má gestão das poupanças públicas e pela sua espetacular mal sucedida engenharia financeira.

O Primeiro-Ministro Diab disse que iria “lhe dar dois meses” – provavelmente não durará tanto tempo – para permitir que os senhores da guerra se encontrem e decidam o que fazer a seguir, uma vez que são eles que impedem o governo de avançar. Disse também que está disposto a procurar uma eleição parlamentar antecipada, uma proposta que será certamente rejeitada pelos políticos poderosos e que levará talvez à demissão do próprio Diab.De fato, os grupos sunitas e os poderosos grupos parlamentares cristãos seriam os mais prejudicados por uma eleição antecipada. Tanto os sunitas (Saad Hariri) como os cristãos (GebranBassil) sofreriam graves danos na sua base popular e perderiam definitivamente muitos dos lugares que ocupam hoje. O Druse (Walid Jumblat) e 

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Macron acredita que a pressão econômica dos EUA sobre o Hezbollah está prejudicando a população libanesa, entre eles os amigos da França e dos EUA. Além disso, quanto mais os EUA aumentarem a sua pressão sobre o Líbano, mais o país se dirigirão Irã, China e Rússia. Isto sem contar com o número de refugiados que se deslocariam para a Europa. A “pressão máxima” dos EUA sobre o “Eixo da Resistência”, principalmente Irã, Síria e Hezbollah, não alcançou o resultado desejado. Os EUA falharam na sua tentativa de subjugar o Líbano e conseguiram levar os seus aliados, principalmente europeus, a encontrar mais formas de se distanciarem do domínio dos EUA.

“O problema do Líbano é o fato de haver países demais por perto”, querendo dominá-lo. Foi o que disse o Presidente francês. Ele descreveu uma realidade que os libaneses desconhecem perigosamente, e onde a divisão continua a ser um fantasma perigoso.

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