
Elijah J. Magnier
Trad. Alan Dantas
Ao atacar e demolir o prédio diplomático que abrigava o consulado iraniano em Damasco, Israel enviou uma mensagem sólida a vários atores, refletindo sua crise sem precedentes desde seu estabelecimento na Palestina. O ponto central dessa mensagem foi o direcionamento deliberado e a eliminação do major-general Mohammad Reza Zahedi, uma figura proeminente do Conselho Shura do Hezbollah e comandante da Brigada Al-Quds da Guarda Revolucionária Iraniana. Esse assassinato enfatiza o protesto de Israel contra a erosão de sua segurança, conforme evidenciado pela barragem de foguetes, mísseis e drones da resistência desde Naqoura, passando pelas Colinas de Golã, até Eilat. Ao recorrer a essa medida extrema, Israel sinalizou aos Estados Unidos sua disposição de agravar o conflito. Ele pediu que o país acelerasse a assistência solicitada anteriormente ou seria arrastado para um conflito mais amplo no Oriente Médio, no qual o Irã (provavelmente) desempenharia um papel central. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, diante de um impasse na guerra contínua e multifacetada e da incapacidade de atingir seus objetivos declarados, parece estar seguindo uma estratégia que faz com que o proverbial templo caia sobre todos, inclusive ele próprio.
A interpretação de que o Irã está preso em um dilema sobre se deve ou não retaliar, sofrendo perdas significativas sem a inclinação de entrar em guerra com Israel – uma nação responsável pela morte de seus líderes – é falha. O recente assassinato israelense em Damasco resultou na eliminação de sete comandantes e assessores iranianos da Brigada Al-Quds da Guarda Revolucionária. Eles eram o major-general Muhammad Reza Zahedi, seu vice, o general de brigada Muhammad Hadi Haj Rahimi, e outros oficiais envolvidos em operações no Líbano, na Síria e no apoio à Palestina, Sayed Ali Salehi Rozbahani, Ali babaye, Hussein Elahi, Mahdi Jaladti e Hosen Sadaqat.
Na verdade, após a Revolução Iraniana de 19 de fevereiro de 1979, o Irã demonstrou sua solidariedade com a causa palestina ao entregar a antiga embaixada israelense no Irã a Yasser Arafat. Esse gesto marcou a inauguração da primeira embaixada palestina no Oriente Médio e sinalizou o início do apoio ativo do Irã à causa palestina. De acordo com seu ethos revolucionário, o Irã criou a Guarda Revolucionária, incluindo uma unidade específica chamada “Brigada de Jerusalém”. Essa brigada incorporou o compromisso constitucional do Irã de “apoiar todas as pessoas vulneráveis do mundo”, conforme descrito nos artigos 3, 152 e 154 da Constituição iraniana.
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