
Elijah J. Magnier
Trad. Alan Dantas
Após semanas de bombardeios esporádicos terrestres, marítimos e aéreos pelas forças israelenses, estão em andamento os preparativos para uma ofensiva no último reduto de Gaza, Rafah. Esses ataques têm como objetivo incentivar um número mais significativo de pessoas deslocadas internamente a retornar às áreas do sul anteriormente evacuadas pelo exército de ocupação israelense. Essas áreas oferecem vantagens táticas, permitindo que os militares israelenses retomem os ataques com um número relativamente reduzido de vítimas civis, desde que a evacuação total de Rafah seja bem-sucedida. Apesar da oposição do Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, que criticou o plano por sua falta de credibilidade, a decisão de prosseguir com a invasão parece firme. As reservas de Sullivan refletem preocupações mais amplas entre as autoridades dos EUA sobre a viabilidade do plano. O mandato para a ação, no entanto, recebeu apoio unânime de todo o espectro político israelense, com partidários e oponentes do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu concordando com a inevitabilidade do ataque, mesmo que eles divirjam quanto às prioridades estratégicas.
Netanyahu declarou publicamente que “o ataque a Rafah alcançará a vitória absoluta”, uma declaração que reflete sua determinação, apesar do ceticismo das autoridades militares e políticas israelenses e americanas. Essa postura envia uma mensagem aos palestinos e aos aliados internacionais de que a decisão é irreversível, preparando o terreno para uma escalada significativa no conflito em andamento sem necessariamente alcançar o resultado desejado.
A proposta final do Hamas e os cálculos estratégicos de Israel
Em 13 de abril, o Hamas, que representa todas as facções da resistência palestina, apresentou uma proposta final estabelecendo condições não negociáveis para resolver o conflito em andamento. A proposta incluía um cessar-fogo permanente, uma retirada completa do exército israelense de Gaza e uma troca de todos os prisioneiros – vivos e mortos – atualmente em poder da resistência. Em uma mudança significativa em relação às exigências anteriores, o Hamas ofereceu a troca de cada soldado israelense capturado por 50 prisioneiros palestinos, incluindo 30 condenados à prisão perpétua e 20 condenados a penas de prisão de longo prazo, começando com um primeiro lote de 20 reservistas femininas capturadas em 7 de outubro de 2023.
O Hamas também buscou o envolvimento de garantidores regionais e internacionais em qualquer acordo de cessar-fogo, citando o Catar, o Egito, a Turquia e a Rússia como possíveis mediadores. No entanto, os EUA rejeitaram explicitamente a Turquia e a Rússia como garantidores.
A resposta de Israel veio duas semanas depois, seguindo o protocolo padrão de negociação. Entretanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua comprometido com a continuidade do conflito e se opõe a uma retirada completa de Gaza. Para ele, as possíveis concessões exigidas para um cessar-fogo e a libertação de 136 prisioneiros israelenses são muito caras, podendo levar a um cessar-fogo permanente e ao fim do conflito. A resistência de Netanyahu se deve, em parte, à sua posição política precária e ao seu desejo de evitar possíveis eleições antecipadas que poderiam responsabilizá-lo por não proteger os cidadãos israelenses.
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