
Elijah J. Magnier
Trad. Alan Dantas
Embora o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, tenha condenado a “matança de civis inocentes” em Gaza, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que “não pretende parar a guerra até que todas as metas estabelecidas sejam alcançadas”. Ele instruiu a equipe israelense que negocia com o Hamas a apresentar um documento propondo sua “disponibilidade para negociar uma paz duradoura” em Gaza para concluir a troca de prisioneiros e sequestrados. Isso demonstra sua insistência em continuar a guerra e sua tentativa de aliviar a pressão interna e externa que enfrenta devido à morte de vários prisioneiros e à morte contínua de milhares de civis palestinos. Isso ocorre com o contínuo apoio americano, incluindo ajuda militar inabalável e justificativas para os massacres e as recentes ações militares em Rafah como uma “operação limitada”.
Quando Netanyahu anunciou sua disposição de discutir uma paz duradoura, mas não de aceitar uma paz permanente, surgiram dúvidas sobre a viabilidade e a sinceridade das negociações de paz propostas. Normalmente, em todas as guerras, um acordo sobre um cessar-fogo permanente é a etapa inicial para acalmar o conflito, permitindo que ambos os lados interrompam as hostilidades e criem um ambiente propício para um diálogo significativo para resolver problemas e pontos pendentes gradualmente. Ao não se comprometer com um cessar-fogo permanente (em vez de duradouro), Netanyahu mantém a flexibilidade estratégica para retomar as operações militares conforme achar necessário, prejudicando assim o processo de paz.
Isso permite a continuação da pressão militar sobre a resistência palestina como um meio de impor condições futuras a partir de uma posição de força, priorizando seus interesses de segurança em relação às demandas dos palestinos. Isso leva à rejeição da proposta porque ela perpetua o ciclo de violência e instabilidade, deixando a porta aberta para a possibilidade de uma nova guerra.
Essa oferta corrói a já inexistente confiança entre as partes negociadoras, dificultando qualquer diálogo construtivo. Ao mesmo tempo, a ameaça de retomada das ações militares paira sobre Gaza. Isso põe em dúvida as promessas de reconstrução e restauração da infraestrutura destruída, incluindo casas, escolas e hospitais. “As condições em Gaza são desumanas”, como enfatizou a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, porque a Faixa não é mais adequada para habitação. Esses são os objetivos do sionismo há décadas, muito antes de 7 de outubro, que considera “a presença de qualquer palestino na terra de Israel (Palestina), incluindo a Judeia e Samaria (Cisjordânia), uma ameaça à segurança nacional israelense”.
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