Irã-Rússia-China: uma aliança estratégica nasce enquanto os EUA perdem terreno e aliados

Por Elijah J. Magnier: @ejmalrai

Traduzido por: Alan Regis Dantas

Em 2005, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad começou a “olhar para o Leste” para consolidar a relação do Irã com a Rússia e a China em vez de com a Europa e os EUA. Ele compartilhou a crença do Rahbar, o Grande Ayatollah Sayyed Ali Khamenei, de que não se podia confiar no Ocidente. Em 2013, quando o xeque Hassan Rouhani chegou ao poder, o Líder da Revolução não rejeitou seu pedido de tentar romper a “negociação nuclear” com os americanos. “Vá e tente, mas saiba que se você der um dedo ao Ocidente, ele pedirá o braço inteiro”. Eles não são dignos de confiança”. De fato, em 2018, o Presidente Donald Trump revogou de forma ilegal e unilateral o “acordo nuclear” assinado em 2015, conhecido como JCPOA. Além disso, Trump impôs as mais severas sanções econômicas e comerciais ao Irã para tentar quebrar o país e forçá-lo a se submeter. Dois anos depois, em 2020, os laços com o Ocidente estão em seu nível mais baixo, como nunca. O Irã mudou sua relação tática com a Rússia e a China para uma relação estratégica profundamente enraizada com centenas de bilhões de dólares de negócios agora assinados por períodos de 20 e 25 anos. 

Após o fracasso da “pressão máxima” americana sobre a “República Islâmica”, o Irã está se mantendo firme sob a liderança de Sayyed Ali Khamenei, excluindo a possibilidade de contatar o Presidente Donald Trump para renegociar o acordo nuclear, oferecer quaisquer concessões ou discutir seus programas de mísseis. Está constantemente desenvolvendo seu programa nuclear não militar, apesar da sabotagem israelense de sua instalação nuclear de Natanz. Além disso, o Irã assinou um acordo de US$ 400 bilhões com a China, sem excluir a possibilidade de sentar-se à mesa com um presidente americano quando  Trump deixar o cargo em poucos meses ou anos. Além disso, o Irã está preparando uma nova e mais robusta aproximação e colaboração estratégica com a Rússia, maior do que nunca, para criar uma frente unida, incluindo todos os países sob as sanções dos EUA, unidos contra Washington.

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“Nos últimos dois anos, a Europa ofereceu palavras, mas nenhuma ação suficiente para honrar o JCPOA. Os países europeus não ousaram se opor à decisão ilegal dos EUA e impediram seus bancos e empresas de respeitar os contratos já assinados com o Irã. Os líderes europeus têm os interesses de Israel acima de qualquer outro, depois dos EUA, e são parceiros pouco confiáveis. A China e a Rússia estão agindo independentemente das sanções unilaterais dos EUA contra o Irã e outros países também estão aderindo. A escolha iraniana é muito simples para nós e Sayyed Ali Khamenei tomou uma escolha estratégica que todos os principais tomadores de decisão apoiam. Não podemos esperar pelo próximo presidente dos EUA, pelo dia em que Trump deixar o cargo. Temos um objetivo claro e temos a opção de analisar a opção EUA-UE uma vez que ela seja séria o suficiente. Entretanto, tanto os EUA quanto a UE não serão mais a primeira escolha de negócios do Irã”, disse o tomador de decisões iraniano. A China e a Rússia não são os dois únicos países que rejeitaram as sanções unilaterais dos EUA. Turquia, Índia e Paquistão se recusaram a cessar suas relações comerciais e energéticas com o Irã.

O ministro iraniano das Relações Exteriores Zarif fez uma de suas visitas mais importantes a Moscou, um “parceiro testado na Síria e um verdadeiro apoiador nas Nações Unidas no momento mais necessário quando os EUA perderam o equilíbrio”, disse a fonte. Após o acordo com a China, um acordo abrangente com a Rússia está a caminho de preparar o terreno para que o Irã se junte à Organização de Cooperação de Xangai como membro e não mais apenas como observador. Isto envolverá o estabelecimento de uma parceria de longo prazo em todos os níveis, incluindo a cooperação militar com outro acordo de longo prazo a ser assinado em um futuro próximo. 

Estes são acordos excepcionais com superpotências. É incomum que o Irã aceite os termos impostos ao lidar com países tão poderosos; o Irã está caminhando entre as minas do artigo 3 de sua constituição. Novas alianças estão surgindo, entre países unidos e fortalecidos pelas sanções impostas pelos EUA a todos eles. Enquanto isso, os EUA estão perdendo mais terreno e mais aliados.

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